Eu simplesmente fecho os olhos, os ouvidos e durmo esperando
que tudo acabe...
Foi isso que eu sempre fiz, foi isso que sempre estive
condicionada a fazer, mas hoje não, hoje fiz para perceber e mostrar que
realmente essa condição não me faz e nem nunca me fez feliz, essa condição me
prende, me cega, me fecha; essa condição me congela e me deixa tão fria que eu
não consigo sentir nada. Acho que eu entendi bem a função da anestesia, a gente
dorme enquanto tudo acontece e quando você acorda o trabalho já foi feito, e você
tenta fingir que não passou por nada, mas as dores e a cicatriz continuam lá.
Hoje eu dormi, mas foi a ultima vez.
Passei anos e anos acreditando que eu não era nada, não
podia ser nada e nem queria ser nada, por anos e anos eu chorei sozinha, eu
calei e dormi. Mas sempre me refugiei em sonhos, os mais simples e calmos, que
a para mim eram inalcançáveis.
Hoje eu não tenho mais vontade de chorar, nem de calar ou
dormir, hoje sonhar não é mais uma necessidade é um prazer, assim como viver.
Relações cruzadas sempre com barreiras entre os olhares, com
mentiras entre as verdades, com culpas e cobranças sobre a espontaneidade.
Rapidamente eu aprendi a usar de escudo as barreiras, mentiras, culpas e
cobranças.
Hoje eu me vejo maior, tão grande que isso tudo já não me
prende mais, eu sou repleta de querer, de saber, de viver. Hoje eu sou tão
feliz por enfim estar saindo desta jaula, por fim estar me vendo e me mostrando
como realmente sou, com os meus sonhos, minhas emoções e com minhas cicatrizes de
tantos anos.
Agora o escudo se inverteu, mas não é isso o que eu quero, o
que eu quero é que tudo isso vá pro “escambau”, o que eu quero é poder ser quem
eu sou sem ser julgada, sem ter que temer, sem ter que pedir “por favor”, o que
eu quero é que me entendam e me respeitem como eu sou e pelo o que eu realmente
sou, não pelo que esperam que eu seja.
Hoje eu vejo sorrir pra mim tantas coisas que me fazem bem,
que eu acredito e que eu sempre esperei e só o que eu queria era poder dividir essa
felicidade.
Dividir, porque pra mim para amar não tem que estar sempre
junto, basta entender que se o outro está feliz eu também estou; amor não é
poder amor é querer, não é posse é partilha, assim como não é culpa é vontade.
Eu não vou mais dormir, nem me culpar, nem me esconder. Hoje
eu sou o que sou, eu estou feliz como nunca eu vou indo com calma no meu tempo
sem deixar que nada me atropele, não mais, e só o que me resta é esperar que
isso não seja algo tão incompreensível.
Como já dizia Lennon “é fácil viver com os olhos fechados”,
mas nem sempre o fácil é o bom, só o que cabe a nós é abrirmos os olhos e ver,
simplesmente enxergar sem lentes, barreiras ou escudos.
“Nothing is
gonna change my world”
